quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Apresente com "efeitos especiais" e faça a diferença

Vou dar um exemplo de uma animação simples e que pode fazer a diferença durante sua palestra. À medida que você vai assistindo a outras apresentações ou animações na própria TV, as ideias vão surgindo. Minha sugestão é que você sempre procure estar aberto a animações de todos os tipos, em todos os lugares, e tente transportar o que achar interessante ao Power Point. Hoje, com o Office 2010, é possível fazer coisas que dispensam outros softwares até então essenciais.

Faça imagens dinâmicas enquanto fala. Exemplo: a imagem crescer enquanto rotaciona.

Isso dá um efeito muito legal enquanto você expõe, deixa a "cena" dinâmica e chama a atenção sem roubá-la. Segue o passo-a-passo:

1. Insira um retângulo que pegue uma parte do slide. No exemplo abaixo, eu o preenchi com um degradê cinza/branco, à esquerda.


2. Insira agora a imagem, tomando o cuidado de deixar uma borda dela sendo “comida” por uma borda do retângulo e também fazendo com que a imagem ultrapasse as fronteiras do slide. A imagem deve estar na camada atrás do retângulo (clique nela com o botão direito e use o comando Enviar para Trás).



3. Agora você vai adicionar dois efeitos à imagem. Primeiro, clique nela e, em seguida, no menu  Animações, selecione, lá embaixo, Mais Efeitos de Ênfase (estrela amarela).



4. Agora selecione em Básico a opção Aumentar/Diminuir, e clique em OK.



5. Entre, no menu Animações, em Painel de Animação. Aparecerá uma lista com as animações montadas até então, à direita. A animação Aumentar/Diminuir estará lá. Clique nela com o botão direito e selecione Opções do Efeito.



6. Aparecerá uma nova janela. Em Tamanho, selecione o campo Personalizar e digite quanto você vai querer que a imagem cresça. Nesse exemplo, escolhi 120% do seu tamanho original.



7. Clique, novamente, na animação da barra à direita, com o botão direito, e selecione Iniciar Após o Anterior. 




8. Clique de novo na imagem e selecione Adicionar Animação. Selecione Rotação.



9. Selecione, lá em cima, à direita, em Iniciar, a opção Com o Anterior.



10. Repare que surgiu uma nova animação, na figura acima, dentro da caixa azul, que é justamente a de Rotação. Clique com o botão direito nela, e selecione novamente a opção Opções de Efeito. Uma nova janela vai abrir.



11. Agora você vai editar a rotação. Por bom senso, não convém fazer John Kennedy dar uma pirueta. A rotação deve ser suave, pois o efeito em si é suave. Nesse caso, escolhi uma rotação de 10o no sentido horário.
12. Você deve dosar o tempo de ambas, para que o efeito fique lento e não roube muito a cena. Faça com que ambas tenham, de preferência, a mesma duração. Esse timming dependerá do tempo de sua fala. Treine! No nosso exemplo, foram 6 segundos.


Listo! Veja o resultado abaixo. Quando mostrei esse slide, e enquanto falava, todos ficaram prestando atenção, curiosos. 
Menos Luiza, claro, que está no Canadá.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O trabalho de Mintzberg

Ganhei de um amigo um material muito bacana do Henry Mintzberg. Ele estuda há décadas o dia-a-dia de gerentes, e faz cair por terra toda a beleza da teoria de liderança, mostrando o quanto um gerente sofre por não conseguir planejar, já que ele vira um apagador de incêndios diários, além de se frustrar quando sai das aulas de MBA que pregam a importância do planejamento gerencial.


Profissão: Gerente.

Ele cita, por exemplo, que 60 a 90% da comunicação gerencial é verbal. E que os gerentes preferem muito mais as "fofocas" do que números concretos. Exemplo: entre "vamos considerar 12% de risco sobre a queda do faturamento" e "vi seu cliente tomando cerveja com um concorrente seu", a segunda vai guiar suas próximas ações.
Um dos casos foi o de uma enfermeira-chefe de um hospital que executou 19 atividades em 3 minutos.
Segundo Mintzberg, não existe a chamada "interrupção das tarefas para atender o telefone, ou alguém pessoalmente, ou o skype, ou um e-mail urgente". Isso porque atender o telefone ou alguém pessoalmente, ou o skype, ou um e-mail urgente SÃO as tarefas de um gerente.


Publico mais em breve.

Curso sobre liderança e formação de gestores

Curso novo! Preparei um material com várias referências, como o trabalho de Stephen Covey (dos "Sete Hábitos"), Itay Talgham (o maestro israelense), Simon Sinek (o homem do "Start With Why"), Diana Laufenberg e outros. Dá 8 horas de aula.
Ficou muito legal. Quem tiver interesse, estou por aqui.


Leadership

Medo de Falar em Público e a Psicologia Evolutiva - Parte 3

A visualização guiada segue uma sequência:


1- Relaxamento e concentração. Nas primeiras vezes, pode ser que você durma. Isso é normal e vai acontecer justamente porque você está tenso. Essa etapa consiste em alcançar o seu inconsciente, e há várias maneiras de se fazê-lo: imaginar que você está mergulhando e contar até 100, imaginar que você está voando, não pensar em nada, ser hipnotizado, enfim.

E por que alcançar seu inconsciente?
Simples. Ele não sabe diferenciar o que de fato aconteceu e o que é apenas fruto de nossa imaginação. Tanto que você nunca foi vaiado por uma plateia, mas o medo permanece lá. Você nunca esteve em um avião que caiu, mas o medo está lá. Você se imagina com alguém que você gosta, mesmo não tendo essa pessoa, e infunde lembranças na sua memória de coisas que nunca aconteceram...Ou ainda, quem nunca ouviu falar do mentiroso que contou tanto uma mentira que acabou acreditando nela? Assim, implantar uma personalidade adulta mais forte que a infantil é factível, e a Psicologia Evolutiva é um caminho.


Lembrando que a psicanálise (Freud) se usa de mecanismos para fortalecer a pessoa antes de ela atingir seu inconsciente. Fortalecida, ela chega até as barreiras que guardam seus traumas, abre elas e encara os traumas com mais naturalidade. Mas isso pode durar muitos anos (e ajudar na poupança do seu terapeuta). A ideia da psicologia de Giulio Cesare Giacobbe é encarar de imediato os traumas, e suplantá-los com uma nova personalidade positiva.

IMPORTANTE
A personalidade infantil, quando ver que estão tentando abrir as portas do seu inconsciente, vai gritar, berrar, chorar...Afinal, estão arrancando a mamadeira de você-criança. Coisas do tipo "Isso não vai funcionar", ou "Esqueci de comprar o requeijão no supermercado". Por isso a respiração é tão importante. Ela afasta os pensamentos negativos. Mas ela deve ser feita corretamente. Esse é o segundo passo.


2 - Respire corretamente durante o processo. A respiração tem um poder incrível. Seja para relaxar, seja para atingir seu subconsciente. Quer um exemplo?


http://www.brooksidecenter.com/gifplay.htm

As crianças respiram certo. À medida que crescemos, desaprendemos a respirar, usamos mais os músculos intercostais que a barriga. Querem um exemplo legal de respiração? Olhem o Heitorzinho com 3 meses, dormindo.




O pulmão se divide em 3 partes: abdominal (embaixo), torácica (meio) e apical (topo). A inspiração deve ser sempre do primeiro para o último, e a expiração, ao contrário.


Corpo, mente e respiração estão intimamente ligados nesse processo. A chamada "respiração ióguica", ou seja, com a garganta participando, fazendo barulho, faz interromper os pensamentos involuntários que atrapalham o processo. Basta fazer o ar participar, como se você estivesse quase roncando (como chamam por aí, "ressonando"). Tenha em mente que fazer uma tensão muscular se esvair, só com sua cabeça, é quase impossível para pessoas normais como eu e você. Interromper pensamentos involuntários também. Mas dominar sua respiração sim. E como os três estão interligados, bingo! Você resolve a tensão e as distrações só respirando corretamente.


3- Os cenários. Imagine três cenários. 
3.1. Um é o da mãe. A mãe das mães, uma mãe enorme, irradiando seu amor para o mundo e perdoando tudo. Esse foi seu primeiro vínculo quando era criança, e ela pode estar no cume de uma montanha, por exemplo. A mãe é um símbolo, um arquétipo. E ela coincide com a imagem criada na psicologia analítica de Jung. Ela é a Grande Mãe, que nada mais é que a personalidade parental que está dentro de nós.


3.2. O outro, o da criança. Imagine um parque de diversões, e várias crianças felizes, brincando. Lá num cantinho, está uma criança chorando, sozinha, que foi excluída das brincadeiras e deseja sua mãe. É você-criança.


3.3. O adulto. Agora você está em um deserto e busca pela sua personalidade adulta, até então ofuscada pela criança que chorava forte (e fazia seus traumas e medos se manifestarem).


4- Agora você irá interagir com os cenários. Ter uma música por perto tocando é algo interessante, em vez de silêncio absoluto. Nessa hora você já estará imerso em seu inconsciente sem ter percebido.


A primeira coisa a se fazer é buscar essa Grande Mãe. Pegue-a pela mão e desça com ela da montanha. Conte a ela seus anseios e o que você sente quando está na frente de uma plateia, ou quando está viajando de avião, ou tendo que negociar com um cliente importante.


Siga até o playground, e dirija-a até a criança. Faça com que se abracem, diga que está tudo bem, que ela vai ter sempre sua mãe do lado para atendê-la. Ela não está sozinha. E digo mais, quando você precisar das duas, elas estarão lá. Os livros do Giacobbe sempre tem um tom muito ácido e bem humorado...Nessa parte, ele diz assim:


"A Grande Mãe em pessoa encontrará a criança chorando
e a acolherá no seu seio.
E lhe falará docemente.
“Minha criança pequenina, doravante você não deverá
mais ter medo. Eu não a abandonarei nunca mais. Você
ficará sempre aqui nos meus braços e eu cuidarei de 
você. O meu amor por você durará para sempre.”
Eis aí o que deve ouvir a criança que está dentro de
você.
O que ninguém nunca lhe disse.
Que a peste atinja alguém que jamais lhe disse isso.
E é isso que ela quer fazer.
Ficar para sempre nos braços da Grande Mãe.
Ser consolada para sempre de todas as frustrações.
Ficar protegida para sempre dos perigos do mundo e
da vida."



E você não vai eliminar sua personalidade infantil. Apenas deixará ela guardada ali, pra que manifeste quando isso for preciso. Fazer isso é atacar sua memória com uma auto-sugestão absurdamente potente. Não importa se a "sua criança" tem um genitor de verdade ou fictício ao seu lado, o importante é esse genitor estar ao seu lado 24h por dia. É o que toda criança quer.


Agora entremos na Visualização Guiada propriamente dita. Deixe os dois ali no parquinho, em um abraço eterno, e vá ao deserto procurar seu super-apresentador/negociador/pessoa-sem-medo-de-baratas, etc. A imagem que você montou, e que cito no fim do segundo post, será aquela que suplantará  as de sua neurose infantil (neurose é um termo meio forte, sei disso. Mas é exatamente o que todos temos; uns muito, outros pouco).


Ao encontrar essa super figura, ambos devem estender seus braços e se fundir. Pode parecer loucura para quem lê isso a primeira vez (como foi pra mim), mas tem de ser assim. Isso tem um fundamento, e se chama "Desarraigamento Visível", criado por Bandler e Grinder, dentro dos conceitos de PNL (Programação Neurolinguística), para o tratamento de personalidades múltiplas, com milhares de casos de sucesso.


Antes que você se questione "Nossa, mas não tenho toda essa criatividade! Como vou imaginar esse povo todo???", tenha em mente que o mais importante é conceitualizar essas figuras. Isso sim é fácil. Trata-se de simplesmente pensar.



Depois de um número de repetições da visualização guiada, o que dependerá da força e da resistência da sua personalidade infantil, o seu inconsciente terminará assumindo a personalidade adulta como a sua identidade principal. Durante a visualização guiada serão esclarecidos quais são os poderes que você desenvolverá para realizar a sua personalidade adulta.


Segundo Giacobbe, os aspectos positivos do adulto são a autoestima, o controle do território, a liberdade, a independência, a socialização, a procura da fruição do prazer (esta última tem tudo a ver com a falta de domínio que o neurótico infantil tem do ambiente, e por isso ele vive em estado de ansiedade). Tudo isso se sintetiza em três “poderes”: 


a autoestima,
a independência e
a alegria de viver.

E aí entra o mantra da transformação. Durante a "fusão" com essa nova personalidade, repita:

Eu tenho os três poderes de adulto:
a confiança absoluta em mim mesmo,
a independência total dos outros,
a alegria de viver.

O processo de visualização guiada deve ser, de preferência, acompanhado por um profissional. Mas como há poucos no Brasil que seguem essa linha, é interessante que se faça constantemente a auto-sugestão. E aí trata-se simplesmente de você, várias vezes ao dia, entrar num lugar calmo, fechar os olhos, executar a sequência de respiração abdominal -> torácica -> apical -> torácica -> abdominal repetidas vezes e repetir esse mantra.



Eu tenho os três poderes de adulto:
a confiança absoluta em mim mesmo,
a independência total dos outros,
a alegria de viver.

Isso é a auto-sugestão positiva. É isso que se usa em hipnoses, na psicologia evolutiva e em tantos outros tipos de terapia. Concentre-se na respiração e no significado desse mantra. É uma ferramenta realmente poderosa.


Basta persistir e os resultados virão mais cedo do que você imagina.





FONTE: Giacobbe, Giulio Cesare. O medo é uma masturbação mental: como se livrar dele para sempre/Giulio Cesare Giacobbe; tradução Carlos Araujo. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Medo de falar em público e a psicologia evolutiva - segunda parte

Como vimos no post anterior, existe a autoimagem infantil, a primeira personalidade que desenvolvemos. Depois surge a autoimagem adulta, relacionada a tomadas de decisões mais sérias, complexas, ao instinto de luta, à ambição. Por fim, desenvolvemos a autoimagem de genitor. Cuidar, proteger, dedicar-se. É a personalidade da Grande Mãe, que explico mais tarde.
O problema está no fato de que quando os traços de insegurança e medos infundados, da autoimagem infantil, persistem e assumem lugar cronicamente em sua vida, isso caracteriza-se como Neurose Infantil. É ela que traz os medos infundados.
A Psicologia Evolutiva sugere que, através de um processo chamado de Visualização Guiada, façamos um "transplante" de personalidade sobre aquela criancinha chorona e birrenta que grita dentro de nós, que diz que as coisas não darão certo, que aquela plateia vai nos engolir ou que o avião vai cair, só porque ele balançou.
Antes de tudo, deve-se criar um MODELO.
A imagem que você desenhará como Modelo poderá ser uma personalidade famosa, que a seu ver saiba enfrentar as adversidades que sua autoimagem infantil não lhe deixa vencer. No caso do medo de falar em público, o Steve Jobs é um exemplo. Apenas um exemplo. Mas essa imagem também pode ser a de um "super apresentador" - o ar místico e vago trazem mais poder ao Modelo.
Agora vamos à Visualização Guiada. Nela você fará a criança se calar e o super adulto assumir seu papel - isso vai, através de exercícios de autossugestão positiva e trabalho sobre seu inconsciente, trazer-lhe o resultado esperado: livrar-se do seus medos.


Continua...

sábado, 20 de agosto de 2011

Medo de falar em público e a psicologia evolutiva - Parte 1

O medo infantil é cruel, pois quase sempre é infundado porque tem sua origem em algo inexistente: monstros debaixo da cama, o homem do lixo, um barulho forte, o escuro.
Em contrapartida, nessas horas os nossos super-heróis estão sempre lá pra nos defender. Quando somos crianças, desenvolvemos nossa confiança frente a essas situações através do acalento materno, do calor do colo de nossos pais. Nessa fase desenvolvemos a chamada autoimagem infantil.
Magoei...


Depois seguimos à fase adulta, e qualquer situação que ative nosso senso de competição, de autorrealização, sexo, decisões difíceis, e outros, ativa a nossa autoimagem adulta.
I need help, mommy...


Por fim, a última das etapas é o momento de nossas vidas em que viramos genitores. O ímpeto de cuidar, de proteger, zelar, criar, ativa essa autoimagem.


Desculpem por ter ficado contra a luz...Mas tinha que aproveitar o momento!!!


Muito bem. Vocês vão entender onde eu quero chegar. Quando passamos por diversas situações na vida, é normal que uma dessas autoimagens se ative. Normal.
O problema é quando alguma delas predomina. O psicólogo italiano Giulio Cesare Giacobbe chama de neurose infantil o predomínio da autoimagem infantil.
Assim, para entrar no tema, pra valer, imaginem-se dentro de uma jaula com um gorila, em um zoológico. O gorila é assassino. O gorila tem uma ficha invejável de 35 vítimas devoradas. O gorila é forte. Muito forte. E você está lá, no fundo da jaula, encurralado, e o zoológico fechado. O que você faz? Corre, apavorado, até acabar sua energia? Tenta barganhar com o gorila sua vida em troca de algumas bananas-prata? Grita como nunca gritou? Finge que é outro gorila?
Pois é... Difícil saber o que fazer, pois a adrenalina preenche cada vaso sanguíneo nosso, dá dor de barriga, e o medo (que, segundo Stephen King, é a primeira coisa que sentimos em nossa vida, ao sair da barriga de nossas mães) nos faz querer tomar atitudes fora da razão; fica parecendo impossível pensar.
Mas é possível pensar, sim. Quem diabos ia se meter dentro de uma jaula com um gorila assassino?
Esse é o ponto: a maioria de nossos medos é sobre algo que não existe. Criamos gorilas na nossa imaginação e os carregamos conosco até a fase adulta, inclusive quando já ultrapassamos a linha da autoimagem de genitores. Daí vem o pavor quando o avião chacoalha e parece que vai cair, ou a sensação de que, quando vamos fazer uma apresentação, aquela plateia de 114 pessoas vai, quando estivermos lá na frente,...eh...uh...vai fazer o que? Bom, não sei. Mas que muita gente tem medo dela, tem.
A psicologia evolutiva é, segundo o psicólogo italiano, uma boa saída para vencer esses gorilas. É o que gostaria de abordar com vocês nos próximos posts. Acompanhem.


Continua...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Líderes, gestores e dirigentes



Betânia Tanure, Doutora, consultora e professora da PUC de Minas desenvolveu pesquisas ao longo de alguns anos acerca desses três papeis no ambiente corporativo. Todos são essenciais, com suas peculiaridades, e difíceis de mesclar, mas necessários.

Enquanto que, para alguns, ser gestor é o mesmo que ser "apenas" chefe, e o ideal é ser líder, para outros gestor e líder devem ser a mesma coisa. 

Mas a diferença básica é que o gestor é a fotografia de uma posição oficial na empresa, é formalmente um chefe. Não "apenas" um chefe. Cabe aqui lembrar que quando se fala no tema liderança, o nome chefe  já traz consigo o estigma de algo negativo, do mandão, do tirano dominante que vai causando, com o tempo, o desestímulo dos funcionários.

                Ai caramba! Mim? Mim, chefe!


Mas é totalmente possível, aliás, necessário ser um bom gestor. A boa articulação e viabilização de estratégias, processos e estrutura fazem de um gestor um bom gestor. Este tem a capacidade de fazer a empresa crescer de maneira consistente, com um desempenho cada vez melhor, nas menores a nas maiores mudanças, baseado em indicadores, históricos, planejamentos, execuções. Se pudermos eleger uma palavra que case com esse papel, ela seria a Razão.

Entretanto, claro, há pessoas por trás disso. Pessoas tem aspirações, desejos, bom e mau humor, forças e fraquezas. E é aí que entra o papel do líder. Segundo a professora Tanure, o líder opera com a energia que mobiliza a empresa. Seu foco está na cultura organizacional, na liderança, na cultura. Tive, esses dias, a oportunidade de conversar com a diretora da linha de produção de uma fábrica de bebidas. Ela me expôs a dificuldade que é ter que conhecer funcionário por funcionário, trabalhar com metas diárias de produção e motivar do chão de fábrica aos gerentes. Sua vida corporativa é uma negociação crônica, uma resolução crônica de conflitos. Certa vez, ela perguntou a um funcionário se havia conflitos em sua área, se ele estava bem com uma situação de atrito que vinha acontecendo, ao final de uma reunião (daquelas que sugam o que nos restava de energia para o resto do dia). Ele respondeu "Não, tudo bem...Está tudo bem". E não estava - havia faíscas pulando pelo ar. Até hoje, depois de vários anos de trabalho com ele, ela tenta provar a esse funcionário que conflitos sempre existiram e sempre existirão, e não é por causa disso que ganhamos um inimigo por dia. "Marcus", disse ela, "a produção quer engarrafar as bebidas e a manutenção quer parar a fábrica. Isso já não é um conflito?".


E é justamente aí que entra o segundo papel, o do líder. Ele consegue canalizar a energia negativa desses conflitos em produtividade, ele motiva a equipe e faz com que as aspirações de todos sejam as mesmas dele. Isso envolve cultura, valores corporativos e muito, muito jogo de cintura.
"Líderes são legitimados pelos seus liderados", diz a professora Tanure.

Segundo pesquisas recentes que ela desenvolveu em conjunto com um grupo da Wharton University e com Sumantra Ghoshal, da London Business School, existem traços comuns entre os líderes, e que são frequentes em muitos países: 

1) Visão de futuro - capacidade de compartilhar sonhos e de criar significado para as pessoas; 


2) Credibilidade - o líder age inspirado em valores como justiça e gera confiança; relacionamento mobilizador - ao relacionar-se, tem a capacidade de mobilizar o coração e a alma das pessoas. Para obter isso um dos principais requisitos é a comunicação competente; 


3) Comportamento "agridoce" - gera sofrimento, mas ajuda a cuidar dele (atenção: não é o bate-sopra típico das culturas paternalistas); 


4) Alto grau de autoconhecimento - ouve sua voz interior, conhece e reconhece seus pontos fracos. Aqui cabe lembrar do papa da Inteligência Emocional, Daniel Golemann, que sempre prega isso em seus livros.


5) Ambição e sucesso - afinal, ninguém gosta de seguir gente malsucedida. 

Bom lembrar também que nem todos são líderes o tempo inteiro e em todos os lugares, pois isso depende dos valores, do contexto em que o indivíduo está e da dinâmica dos grupos.

Em suma, se formos eleger agora a palavra de ordem para o líder, ela seria, nesse contexto, Emoção.

Agora unamos Emoção e Razão. Esse é o Dirigente. Se em uma mão o líder arrebata pessoas, e noutra o gestor cuida da eficiência operacional da empresa, podemos dizer que numa terceira mão o Dirigente consegue somar, independente de estar ou não no topo da hierarquia, os dois.

Segundo a professora Tanure, "o dirigente não opera apenas na manutenção, na melhoria contínua. Nem mesmo na mudança radical seu foco é apenas estratégia, processos e estrutura. Tampouco está focado fundamentalmente na dimensão das pessoas, da liderança e da cultura. Ele vai muito além: reconhece o fluxo natural e o altera, com coragem, com garra, como exige o mundo empresarial de hoje. Tem um propósito claro, uma visão de futuro que ilumina suas decisões e ações. Ele assume os riscos".

Difícil, mas aplicável. Depende de prática, estudo com afinco de pessoas e processos, ser bom negociador, instigar, motivar, estar atento aos números... Claro, ter talentos nessas áreas torna tudo mais fácil. Mas  é crucial, na vida de um "líder-gestor", uma equipe modelada de forma que suas capacidades sejam aproveitadas para que tudo aconteça da forma que citamos nesse texto.