quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Felicidade

Sobre ser Feliz

sábado, 29 de junho de 2013

Mais uma propaganda fantástica da Dove


Propaganda da Dove ganhadora do prêmio Titanium no Cannes Lions 2013.

"Você é mais  bonita do que pensa que é".

A Dove conduziu uma experiência chamando mulheres e pedindo a elas que se descrevessem. Gil Zamora, artista forense treinado pelo FBI, num trabalho de altíssima qualidade, ouvia as mulheres se descrevendo por trás de uma cortina, de forma que não as via, e as desenhava de acordo com as palavras das entrevistadas. Depois que elas se retiravam, ele as desenhava de verdade, baseado em suas fotografias.
Quando elas se deparavam com os dois desenhos, lado a lado, e viam o quanto a percepção delas não condizia com a realidade, ficavam impressionadas, pois o desenho feito através da descrição delas mostrava pessoas sisudas, gordas, tristes. O Artista, ao lado delas, perguntava: "você é mais bonita do que pensa que é?". 

Uma delas, em uma entrevista pós-experiência, disse: "vejo minha pequena filha tão autoconfiante, cheia de coragem, e não quero que isso se acabe nunca", referindo-se ao fato de que em algum momento isso se perdeu nela.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Próximas Palestras


Próximos treinamentos. Se tiver interesse, entre em contato!

Setembro:

dia 12/09/12: Mudança pessoal e valores. Duração: 1,5h. Local: Smar, em Sertãozinho, às 8h.
dia 13/09/12: Gestão de Talentos. Duração: 1,5h. Local: Smar, em Sertãozinho, às 8h.
dia 13/09/12: Técnicas de Apresentação. Duração: aprox. 3h. Local: Instituto Federal de SP, em Sertãozinho, às 19h.
dia 15/09/12 (sábado): Sustentabilidade. Duração: 1,5h. Local: EAD do Uniseb Interativo, transmissão nacional, às 8h.

Outubro:

31/10/12: Mudança pessoal e valores. Duração: 1h. Local: Rotary Club, Sertãozinho (Associação Recreativa de Sertãozinho, R. Aprígio de Araújo). Horário: 20h.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cocriar

Peço desculpas pelo título sugestivo desse post... Mas eu tinha que fazer você lê-lo.

Bom, possivelmente você já ouviu falar no sucesso que é a Camiseteria (se por acaso estava em Marte agora nas férias, clique aqui). Imagine você mesmo bolar uma arte para uma camiseta, postá-la em um site em que você está cadastrado e concorrer a R$1.300,00 e créditos para compras no site. Mais ainda, lucrar com as vendas da sua camisa.

Vamos pra outra. Remetendo a Theodore Levvit, no seu artigo de 1960 sobre Miopia de Marketing, quando ele comentava sobre o porquê de as ferrovias americanas estarem perdendo seus clientes para concorrentes que eles nem imaginavam existir, eu lanço uma pergunta para você tentar responder antes de ler a próxima linha: Sabe quem está concorrendo com as montadoras de automóveis hoje em dia?

(tempo)

Bicletas?
Pense fora da caixa.

Transporte público?
Não, você ainda está dentro dela.

Caroneiros!!! Sim, gente que está na sua rota e que lhe interessa bastante - afinal, seus custos de transporte vão cair pelo menos à metade. Se ainda não conhece, clique aqui.

Outro caso muito interessante: o segmento de agronegócios da ITC, na Índia, criou os chamados e-Choupals ("choupal" em hindi significa ponto de encontro), que são quiosques onde agricultores se reúnem para discutir entre si e com a própria ITC sobre o setor. Informações como o clima e a safra lhes são disponibilizadas, e eles podem se queixar, sugerir, opinar e desabafar direto com a ITC. Gerenciando os quiosques estão agricultores com treinamento adequado, que inclusive fazem, muitas vezes, juramentos diante da comunidade de que serão servidores que trabalharão em prol de todos.
Se agora eu lhes perguntasse o que esses três casos têm em comum, você saberia me dizer rapidamente?

tempo...
Tá bom, eu ajudo.
Pessoas. Pessoas dos dois lados: empresa e consumidor. Aliás, não existem lados: isso tem um nome, tem sido estudado já há alguns anos e se chama COCRIAÇÃO.
Citei casos como esses para fugir dos "emblemáticos" como o da P&G, que há um bom tempo já trabalha com criação como um processo que envolve a cadeia de valor inteira. Hoje a P&G já fatura bilhões, junto com seus parceiros, graças a produtos criados conjuntamente. Você sabia que o Nivea Black and White foi criado dessa forma? Eles usaram o processo de netnografia (um trocadilho para estudos de etnografia, só que na internet), para levantar insights de consumidores em mídias sociais. 
O Google lançou, recentemente, uma campanha pela ideia mais criativa do Brasil. Quem ganhar, além de receber uma quantia generosa para startar seu negócio, ainda ganha uma viagem para os Estados Unidos para discutir diretamente sua ideia com a equipe de Marketing do Google. Vejam a campanha e um vídeo muito legal clicando aqui.
Recentemente, tive a oportunidade de assistir a uma palestra fantástica de um dos pioneiros e maiores fomentadores da cocriação no Brasil, Francisco Albuquerque - fundador da Agência de Cocriação (www.agenciadecocriacao.com.br). O conceito do modelo de negócio deles é fomentar a cocriação nas e entre as empresas, com laboratórios de formação de ideias e compartilhamento do conhecimento. O processo de inovação colaborativa que eles adotam tem como background profissionais com bagagem na área de Estratégia e Inovação, bem como a utilização do conceito de Design Thinking.


Nesse processo, o conhecimento, as crenças e valores de cada indivíduo, independente de seu expertise, é extremamente valorizado. David Kelley, o fundador da IDEO, disse em uma palestra que já está acostumado, em sessões de cocriação, a ver executivos se levantando e indo telefonar de seus blackberries. Ao perguntá-los aonde vão, eles replicam que "ah, isso é coisa da área de criatividade, não tenho conhecimento nessa área". E ele defende que todas as pessoas são criativas - é injusto dizer que criatividade é um dom e só a usa quem nasceu com ela. Todos temos níveis de criatividade, especialmente para atuar nas áreas com as quais nos identificamos mais.
É como o Francisco, da Agência de Cocriação, comentou na palestra: 

"as pessoas nem sempre pensam o que falam, falam o que querem, querem o que fazem e fazem o que se espera".

Se a sua empresa não fomenta isso nos seus funcionários, tampouco o fará fora, no mercado; não haverá interação. Sim, eu sei, você deve estar pensando que isso depende do modelo de negócio. Mas tudo depende do modelo de negócio, não?
A questão é: como encaixar a cocriação nele? Não dá mais pra negar a importância da participação coletiva nos processos de inovação, isso é algo latente na sociedade, e que estamos precisando com premência no Brasil.
Querem mais um exemplo do poder da cocriação? Agora eu não conto, apenas peço que entrem no link: http://labs.ideo.com/. Depois você volta pra cá.


Tudo bem. Se a IDEO divulga hoje essas ideias, isso acontece principalmente porque ela virou uma empresa de consultoria. Mas lembre-se que o medo de "copiarem" suas ideias é injustificável - pra isso existem patentes, contratos em parcerias, e tudo o mais. Estamos falando aqui de algo maior. Fazer as pessoas participarem do processo criativo e terem seus créditos no final, quando sobem as letrinhas. Estamos, vamos por assim dizer, no topo da pirâmide de Maslow hoje - por mais que tenham "dourado a pílula" e reinventado a hierarquia das necessidades ao longo das últimas décadas, não tem como fugir dela. O topo trata de realização e é isso que buscamos. Inclusive como consumidores.

Por fim, lanço mais um questionamento (wow, esse post teve mais perguntas que respostas, sei disso): o que falta, na sua opinião, para o Brasil abraçar a cultura da cocriação? Por que tem dado certo fora e aqui em tão baixa escala?


terça-feira, 31 de julho de 2012

O que é melhor: ter maior variedade de produtos ou investir em melhorias nos que você já lançou?


Até que enfim, chegou a hora de você comprar seu tablet. Parece que você já sente até o cheiro de "novinho" quando for tirá-lo da caixa. A felicidade de ter um device como esse lhe faz dar bom dia até para a sra. ranzinza do 13o andar, que todos os dias pega elevador usando camisola, com um yorkshire encrenqueiro que nem ela, e que fica latindo para você sempre que os encontra descendo, pela manhã. Digo, o yorkshire fica latindo. Ela fica quieta olhando sua roupa.


Vamos direto ao ponto, filho?


Muito bem. Vamos ao tablet. Você sai do trabalho na hora do almoço e dá uma escapadinha à loja que costuma comprar sempre seus eletrônicos. Chegando lá, até deixando se comover pelo sorriso do vendedor dizendo "posso ajudar?", pede que ele lhe mostre onde está aquele modelo de última geração que você pesquisou tanto na internet até decidir comprá-lo.
A expectativa é alta. É seu tablet. Novinho.
Só que o vendedor, numa fração de segundos antes de lhe dar a resposta - que lhe parece uma eternidade, faz essa expressão antes de falar:
"Ah, lamento, sr., mas acabou hoje de manhã. Só vou estar tendo uma unidade na nossa outra loja, do outro lado da cidade. Só uma peça. E não trabalhamos com reservas. Melhor você ir. E não temos mais tablet nenhum aqui. E está na hora de eu sair para almoçar".
No seu caso, especificamente no seu caso, pode ser que você saia como um louco desvairado pelas ruas até chegar à outra loja quase no fim de seu horário de almoço. Tudo para garantir aquele modelo específico de tablet.
Agora digamos, para terminar essa sessãozinha de storytelling, que na esquina haja um concorrente com o mesmo problema: falta daquele modelo específico, mas com uma diferença: existem outros tablets com funcionalidades e até design similares.
Pois saiba que há quem iria ao concorrente estudar esses outros modelos e possivelmente sairia de lá com um modelo similar ao que você almejava. Alguém, digamos, menos fissurado que você.
Mas eu só queria meu tablet...
Sim, filho, eu te entendo. Mas pare pra pensar que a maioria dos consumidores enfrenta, principalmente em compras cujos preços e valores agregados das opções são maiores, algo que a psicologia chama de dissonância cognitiva. Você fica maluco e não sabe o que escolher, tendo muitas vezes que abrir mão da emoção e colocar na ponta do lápis qual alternativa lhe será melhor.
E ainda fica com dúvida.
Agora pare pra pensar de quais estratégias de negócios estamos falando aqui. No que é melhor investir? Ter a maior variedade de produtos para consumidores que não são como você, ou ter baixa variedade e investir no aperfeiçoamento de seus produtos, para os aficionados em modelos específicos?
Investir em variedades ou na taxa de mudança de um só?
O livro de Susan Sanderson e Mustafa Uzumeri, The Innovation Imperative - Strategies for Managing Products and Families, mostra que, no processo de gerenciamento do ciclo de vida de produtos e de famílias de produtos, as empresas devem adotar uma estratégia envolvendo dois caminhos: 
1. investir em variedade de produtos - entenda-se aqui variedade de um produto como algo que o faz ser tão diferente de outros que ele não consiga substituí-los. Exemplo: televisão e telefone. Fita adesiva e amido de milho. Creme de barbear e bolacha integral. Cite-se como exemplo o caso da empresa americana Stanley Hand Tools, fabricante de ferramentas para trabalho com madeira e outras manuais. Eles possuem mais de 1.500 SKUs, e em quase 20 anos surgiram apenas 50 produtos novos. Isso quer dizer que eles investiram pesadamente, ao longo do tempo,  em variedade de produtos. Hoje o foco é outro: aperfeiçoar os já existentes, que é o próximo item.
2. investir em mudança no que já existe - existe, em todo canto, o perfil de consumidor tão apegado a determinados produtos que o surgimento de novos tem pouca influência em suas atitudes de compra. O mais importante, para ele, é que esse produtos evoluam, ganhem novas características. A última atualização do World Factbook da CIA fala que o novo consumidor brasileiro, que ganhou muitas força nos últimos dez anos, prima por produtos e iniciativas corporativas sustentáveis. Assim, muitas empresas têm investido em mudanças nesse sentido, seja em embalagens, seja em processos produtivos, ou até mesmo em seus modelos de negócios.
Voltemos ao exemplo do consumidor que só tem uma hora para comprar seu tablet. Se ele não se importar com fato de o modelo específico que procura não estar disponível, e decidir ir à loja da esquina, que possui uma infinidade de outros modelos parecidos, ele caracterizaria um perfil de consumidor relacionado ao item 1. Um consumidor que prefere variedade.
Por outro lado, se ele quer aquele, e só aquele modelo, seu perfil vai mais para o lado dos produtos que evoluem ao longo do tempo, e "nenhum outro os substitui" - item 2. Para que exista um mercado com baixa variedade de produtos e alta taxa de mudanças, três elementos devem existir:

a) Um mercado com poder de demandar constante atualização e melhoria dos produtos;
b) Um único approach tecnológico sobre o mercado e
c) Forte resistência do mercado à existência simultânea de duas ou mais famílias de produtos.

Leve-se em conta, também, que cada pessoa tem, na maioria dos casos, uma mistura desses dois comportamentos, se levarmos em conta variáveis como ambiente, situação de compra, tipo de produto etc. Mas não vamos nos aprofundar tanto assim.
Bom, a grande sacada aqui é que, se pegarmos o que há de melhor em cada firma no que tange aos pontos ideais de investimento em variedade ou taxa de mudança, obtemos uma "curva limite" como mostrada no gráfico abaixo. Ela é representada pela linha cheia.




Sendo que, no eixo vertical, temos o nível de investimento em variedade de produtos/famílias de produtos, e no horizontal, na taxa de mudanças.
Repare que a empresa A adotou uma postura de investir mais no cliente que opta por ir na loja da esquina. A C, no que atravessaria a cidade para buscar o modelo específico do tablet. A empresa B adota uma estratégia moderada, com um mix de desenvolvimento bem equilibrado entre ambos os caminhos.
Vale lembrar também que ninguém consegue ultrapassar a linha cheia - ela é simplesmente o que todas têm de melhor em termos de estratégia. O que acontece é que o mercado vai empurrando essa linha cheia para frente, e as empresas vão indo juntas.
Para cada estratégia existe um perfil de consumidor, outro de fornecedor, outro de processo. Veremos isso no próximo post.
Assim, respondendo à pergunta da chamada desse post, o que é melhor, na verdade, é balancear seu modelo de negócio entre a variedade e a mudança, e principalmente saber em que ponto da curva acima seu negócio está posicionado.

sábado, 30 de junho de 2012

Os três pilares da mudança de paradigma

Essa semana tive o prazer de apresentar e discutir no mestrado, com meu amigo doutorando Eduardo Chaves, um livro da psicóloga Maria José Esteves Vasconcelos, que se chama Pensamento Sistêmico: o Novo Paradigma da Ciência.O livro é fenomenal. Impressionou-me e abriu muito minha mente. Ele começa explicando os conceitos de paradigma (nossas regras para o mundo e como o enxergamos, baseados em nossas crenças e valores) e epistemologia (que é o processo de conhecer e de gerar conhecimento e, numa visão mais restrita, nossa visão do mundo, confundindo-se com o primeiro). Fala da história da ciência no que tange à geração de conhecimento, depois aborda os paradigmas da ciência tradicional e, por fim, fala dos novos paradigmas, finalizando o livro ao abordar os conceitos e as interligações entre a Teoria Geral dos Sistemas e da Cibernética.

Vamos para os exemplos práticos?

Um homem trafegava por uma via de mão dupla e, no sentido contrário, passou uma mulher noutro carro, com a janela aberta e gritando: "PORCOOOO!!!"

Automaticamente o homem retrucou: "VACAAAA!!!"

Mais alguns metros à frente ele atropelou um porco, que atravessava a estrada. 


Assim como este infeliz cresceu aprendendo que ao ouvir um xingamento deve-se retrucar à altura, nós também fomos em nossas infâncias cercados de certos, errados, bonitinhos, maus, perigosos etc. Recentemente ouvi em uma palestra que o ser humano hoje tende a romper com as autoridades externas - pais, professores, chefes, religião, opiniões. Com isso, a humanidade passa hoje por uma busca interior e um processo de autoafirmação mais intenso. Entretanto, crescemos aprendendo sobre o modo de pensar dos outros. O que é bom, ruim, feio ou bonitinho para nossos pais, professoras etc., será para nós o resto de nossas vidas. Assim, além de perdermos as referências externas, descobrimos que não nos conhecemos como deveríamos, e começamos a perceber o tamanho e a complexidade da "busca pelo eu". 

As ciências não fogem disso - afinal, estamos falando sobre pessoas all the time. Trazemos de 400 anos "um jeito" cartesiano (ou newtoniano) de pensar. E esse jeito é fundamentado em três pilares:



1- Simplicidade


Sempre tentamos simplificar as coisas em "blocos menores", uma coisa por vez. As relações entre as coisas são causais e lineares: se X causa Y e Y causa Z, então X causa Z. Quando a gente esbarra com um problema "daqueles", chegamos até a pensar se não erramos em algum desses bloquinhos, pois "chegamos num beco sem saída". Esse beco sem saída tem nome, e se chama complexidade.

O novo paradigma da ciência, o pensamento sistêmico, traz a complexidade como o substituto da simplificação das coisas. É impossível achar que dá para simplificar tudo. Aliás, a complexidade sempre existiu, mas percebê-la e admiti-la é a novidade. Até então, nossa postura, ou melhor, nosso paradigma é achar que "bom, isso aqui não é da minha área, que é a de ciências humanas - vamos deixar para os engenheiros, ou para os economistas". O que chamamos de equipes multidisciplinares muitas vezes não passa de um aglomerado de especialistas que não agem entre si como um organismo maior.

Eu vejo a geração Y como um ótimo exemplo do que é saber lidar com a complexidade. Eles lidam com a complexidade do fazer diversas coisas ao mesmo tempo, com o entender a lógica de softwares através de uma intuição absurda (para nós!), e assim por diante.

Enfim, a simplicidade obscurece muitos objetos que poderíamos estudar com mais profundidade em nossas vidas.


2- Estabilidade
O mundo, parafraseando nossos amigos cariocas, "já é". E essa ideia tem seguido a ciência tradicional, de que muitas coisas se repetem com previsibilidade e muitas vezes. Procura-se a repetibilidade para estabelecer-se controle. Para "levar-se isso ao laboratório".
Entretanto, o mundo está em constante processo de "tornar-se". Fenômenos podem ser imprevisíveis, irreversíveis e incontroláveis, e a abordagem para analisá-los deve mudar. Novo paradigma da instabilidade.


3- Objetividade
Não escrevi o título "Os três pilares da mudança de paradigma" à toa. Fiz isso pelo mesmo motivo que as revistas das bocas de caixa de supermercado nos atraem como ímãs ("Perca 7 kilos em duas semanas"). Números sempre nos atraem, sempre dão a impressão de que o assunto é cientificamente comprovado (esse aqui é, viu?). E se você, ao final das duas semanas, não perdeu os 7 kilos, bom, a culpa é sua, não da revista. Pois é cientificamente comprovado.
Isso data dos idos de Renée Descartes, de Sir. Isaac Newton, de Galileo. A cientificidade da física brada pelos quatro cantos do mundo como sendo suprema, por ser exata. Por isso, o que não é provado por números, é subjetivo, complicado e, enfim, deixa para os sociólogos, psicólogos, filósofos. Mais ainda, devem-se observar os fenômenos de fora deles, para um maior entendimento, separando o objetivo do ilusório, "colocando o subjetivo entre parênteses".
O novo paradigma aqui é a intersubjetividade. Fato é que não existe uma realidade independente de um observador. Assim, a objetividade deve ser posta entre parênteses, e múltiplas versões da realidade devem ser admitidas. A interpretação de um fenômeno vai, obrigatoriamente, carregar traços das crenças e valores do observador, pois eles entremeiam a maneira como ele os decodifica.
Simplicidade, estabilidade e objetividade são construtos amigos das exatas, meio amigos das biológicas e inimigos das humanas. Com o novo paradigma, complexidade, instabilidade e intersubjetividade são inimigos das exatas e das biológicas, e amigos das humanas.
Então é isso: complexidade, instabilidade e intersubjetividade. Esses são os três pilares do novo paradigma da ciência, que é o pensamento sistêmico.
Bela proposta.
E no final das contas, se você quer saber quais são as fronteiras de seus paradigmas, experimente se perguntar:

"O que eu acho impossível fazer hoje mas, caso fosse possível fazê-lo, mudaria minha vida?"

Quando fiz essa apresentação, um coordenador de cursos de uma faculdade em Ribeirão me disse: "Mas é impossível você não separar as coisas em pedaços menores para analisá-las uma a uma!". Prontamente eu voltei ao slide com a pergunta acima, e ele concordou comigo apenas sorrindo.
Paradigmas...
Em tempo: em nenhum momento a autora - muito menos eu - quer desmerecer o paradigma tradicional da ciência. Foi ele que nos fez chegar até aqui.
Mas mudar faz parte da gente. E a mudança está acontecendo.