quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Curso sobre liderança e formação de gestores

Curso novo! Preparei um material com várias referências, como o trabalho de Stephen Covey (dos "Sete Hábitos"), Itay Talgham (o maestro israelense), Simon Sinek (o homem do "Start With Why"), Diana Laufenberg e outros. Dá 8 horas de aula.
Ficou muito legal. Quem tiver interesse, estou por aqui.


Leadership

Medo de Falar em Público e a Psicologia Evolutiva - Parte 3

A visualização guiada segue uma sequência:


1- Relaxamento e concentração. Nas primeiras vezes, pode ser que você durma. Isso é normal e vai acontecer justamente porque você está tenso. Essa etapa consiste em alcançar o seu inconsciente, e há várias maneiras de se fazê-lo: imaginar que você está mergulhando e contar até 100, imaginar que você está voando, não pensar em nada, ser hipnotizado, enfim.

E por que alcançar seu inconsciente?
Simples. Ele não sabe diferenciar o que de fato aconteceu e o que é apenas fruto de nossa imaginação. Tanto que você nunca foi vaiado por uma plateia, mas o medo permanece lá. Você nunca esteve em um avião que caiu, mas o medo está lá. Você se imagina com alguém que você gosta, mesmo não tendo essa pessoa, e infunde lembranças na sua memória de coisas que nunca aconteceram...Ou ainda, quem nunca ouviu falar do mentiroso que contou tanto uma mentira que acabou acreditando nela? Assim, implantar uma personalidade adulta mais forte que a infantil é factível, e a Psicologia Evolutiva é um caminho.


Lembrando que a psicanálise (Freud) se usa de mecanismos para fortalecer a pessoa antes de ela atingir seu inconsciente. Fortalecida, ela chega até as barreiras que guardam seus traumas, abre elas e encara os traumas com mais naturalidade. Mas isso pode durar muitos anos (e ajudar na poupança do seu terapeuta). A ideia da psicologia de Giulio Cesare Giacobbe é encarar de imediato os traumas, e suplantá-los com uma nova personalidade positiva.

IMPORTANTE
A personalidade infantil, quando ver que estão tentando abrir as portas do seu inconsciente, vai gritar, berrar, chorar...Afinal, estão arrancando a mamadeira de você-criança. Coisas do tipo "Isso não vai funcionar", ou "Esqueci de comprar o requeijão no supermercado". Por isso a respiração é tão importante. Ela afasta os pensamentos negativos. Mas ela deve ser feita corretamente. Esse é o segundo passo.


2 - Respire corretamente durante o processo. A respiração tem um poder incrível. Seja para relaxar, seja para atingir seu subconsciente. Quer um exemplo?


http://www.brooksidecenter.com/gifplay.htm

As crianças respiram certo. À medida que crescemos, desaprendemos a respirar, usamos mais os músculos intercostais que a barriga. Querem um exemplo legal de respiração? Olhem o Heitorzinho com 3 meses, dormindo.




O pulmão se divide em 3 partes: abdominal (embaixo), torácica (meio) e apical (topo). A inspiração deve ser sempre do primeiro para o último, e a expiração, ao contrário.


Corpo, mente e respiração estão intimamente ligados nesse processo. A chamada "respiração ióguica", ou seja, com a garganta participando, fazendo barulho, faz interromper os pensamentos involuntários que atrapalham o processo. Basta fazer o ar participar, como se você estivesse quase roncando (como chamam por aí, "ressonando"). Tenha em mente que fazer uma tensão muscular se esvair, só com sua cabeça, é quase impossível para pessoas normais como eu e você. Interromper pensamentos involuntários também. Mas dominar sua respiração sim. E como os três estão interligados, bingo! Você resolve a tensão e as distrações só respirando corretamente.


3- Os cenários. Imagine três cenários. 
3.1. Um é o da mãe. A mãe das mães, uma mãe enorme, irradiando seu amor para o mundo e perdoando tudo. Esse foi seu primeiro vínculo quando era criança, e ela pode estar no cume de uma montanha, por exemplo. A mãe é um símbolo, um arquétipo. E ela coincide com a imagem criada na psicologia analítica de Jung. Ela é a Grande Mãe, que nada mais é que a personalidade parental que está dentro de nós.


3.2. O outro, o da criança. Imagine um parque de diversões, e várias crianças felizes, brincando. Lá num cantinho, está uma criança chorando, sozinha, que foi excluída das brincadeiras e deseja sua mãe. É você-criança.


3.3. O adulto. Agora você está em um deserto e busca pela sua personalidade adulta, até então ofuscada pela criança que chorava forte (e fazia seus traumas e medos se manifestarem).


4- Agora você irá interagir com os cenários. Ter uma música por perto tocando é algo interessante, em vez de silêncio absoluto. Nessa hora você já estará imerso em seu inconsciente sem ter percebido.


A primeira coisa a se fazer é buscar essa Grande Mãe. Pegue-a pela mão e desça com ela da montanha. Conte a ela seus anseios e o que você sente quando está na frente de uma plateia, ou quando está viajando de avião, ou tendo que negociar com um cliente importante.


Siga até o playground, e dirija-a até a criança. Faça com que se abracem, diga que está tudo bem, que ela vai ter sempre sua mãe do lado para atendê-la. Ela não está sozinha. E digo mais, quando você precisar das duas, elas estarão lá. Os livros do Giacobbe sempre tem um tom muito ácido e bem humorado...Nessa parte, ele diz assim:


"A Grande Mãe em pessoa encontrará a criança chorando
e a acolherá no seu seio.
E lhe falará docemente.
“Minha criança pequenina, doravante você não deverá
mais ter medo. Eu não a abandonarei nunca mais. Você
ficará sempre aqui nos meus braços e eu cuidarei de 
você. O meu amor por você durará para sempre.”
Eis aí o que deve ouvir a criança que está dentro de
você.
O que ninguém nunca lhe disse.
Que a peste atinja alguém que jamais lhe disse isso.
E é isso que ela quer fazer.
Ficar para sempre nos braços da Grande Mãe.
Ser consolada para sempre de todas as frustrações.
Ficar protegida para sempre dos perigos do mundo e
da vida."



E você não vai eliminar sua personalidade infantil. Apenas deixará ela guardada ali, pra que manifeste quando isso for preciso. Fazer isso é atacar sua memória com uma auto-sugestão absurdamente potente. Não importa se a "sua criança" tem um genitor de verdade ou fictício ao seu lado, o importante é esse genitor estar ao seu lado 24h por dia. É o que toda criança quer.


Agora entremos na Visualização Guiada propriamente dita. Deixe os dois ali no parquinho, em um abraço eterno, e vá ao deserto procurar seu super-apresentador/negociador/pessoa-sem-medo-de-baratas, etc. A imagem que você montou, e que cito no fim do segundo post, será aquela que suplantará  as de sua neurose infantil (neurose é um termo meio forte, sei disso. Mas é exatamente o que todos temos; uns muito, outros pouco).


Ao encontrar essa super figura, ambos devem estender seus braços e se fundir. Pode parecer loucura para quem lê isso a primeira vez (como foi pra mim), mas tem de ser assim. Isso tem um fundamento, e se chama "Desarraigamento Visível", criado por Bandler e Grinder, dentro dos conceitos de PNL (Programação Neurolinguística), para o tratamento de personalidades múltiplas, com milhares de casos de sucesso.


Antes que você se questione "Nossa, mas não tenho toda essa criatividade! Como vou imaginar esse povo todo???", tenha em mente que o mais importante é conceitualizar essas figuras. Isso sim é fácil. Trata-se de simplesmente pensar.



Depois de um número de repetições da visualização guiada, o que dependerá da força e da resistência da sua personalidade infantil, o seu inconsciente terminará assumindo a personalidade adulta como a sua identidade principal. Durante a visualização guiada serão esclarecidos quais são os poderes que você desenvolverá para realizar a sua personalidade adulta.


Segundo Giacobbe, os aspectos positivos do adulto são a autoestima, o controle do território, a liberdade, a independência, a socialização, a procura da fruição do prazer (esta última tem tudo a ver com a falta de domínio que o neurótico infantil tem do ambiente, e por isso ele vive em estado de ansiedade). Tudo isso se sintetiza em três “poderes”: 


a autoestima,
a independência e
a alegria de viver.

E aí entra o mantra da transformação. Durante a "fusão" com essa nova personalidade, repita:

Eu tenho os três poderes de adulto:
a confiança absoluta em mim mesmo,
a independência total dos outros,
a alegria de viver.

O processo de visualização guiada deve ser, de preferência, acompanhado por um profissional. Mas como há poucos no Brasil que seguem essa linha, é interessante que se faça constantemente a auto-sugestão. E aí trata-se simplesmente de você, várias vezes ao dia, entrar num lugar calmo, fechar os olhos, executar a sequência de respiração abdominal -> torácica -> apical -> torácica -> abdominal repetidas vezes e repetir esse mantra.



Eu tenho os três poderes de adulto:
a confiança absoluta em mim mesmo,
a independência total dos outros,
a alegria de viver.

Isso é a auto-sugestão positiva. É isso que se usa em hipnoses, na psicologia evolutiva e em tantos outros tipos de terapia. Concentre-se na respiração e no significado desse mantra. É uma ferramenta realmente poderosa.


Basta persistir e os resultados virão mais cedo do que você imagina.





FONTE: Giacobbe, Giulio Cesare. O medo é uma masturbação mental: como se livrar dele para sempre/Giulio Cesare Giacobbe; tradução Carlos Araujo. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Medo de falar em público e a psicologia evolutiva - segunda parte

Como vimos no post anterior, existe a autoimagem infantil, a primeira personalidade que desenvolvemos. Depois surge a autoimagem adulta, relacionada a tomadas de decisões mais sérias, complexas, ao instinto de luta, à ambição. Por fim, desenvolvemos a autoimagem de genitor. Cuidar, proteger, dedicar-se. É a personalidade da Grande Mãe, que explico mais tarde.
O problema está no fato de que quando os traços de insegurança e medos infundados, da autoimagem infantil, persistem e assumem lugar cronicamente em sua vida, isso caracteriza-se como Neurose Infantil. É ela que traz os medos infundados.
A Psicologia Evolutiva sugere que, através de um processo chamado de Visualização Guiada, façamos um "transplante" de personalidade sobre aquela criancinha chorona e birrenta que grita dentro de nós, que diz que as coisas não darão certo, que aquela plateia vai nos engolir ou que o avião vai cair, só porque ele balançou.
Antes de tudo, deve-se criar um MODELO.
A imagem que você desenhará como Modelo poderá ser uma personalidade famosa, que a seu ver saiba enfrentar as adversidades que sua autoimagem infantil não lhe deixa vencer. No caso do medo de falar em público, o Steve Jobs é um exemplo. Apenas um exemplo. Mas essa imagem também pode ser a de um "super apresentador" - o ar místico e vago trazem mais poder ao Modelo.
Agora vamos à Visualização Guiada. Nela você fará a criança se calar e o super adulto assumir seu papel - isso vai, através de exercícios de autossugestão positiva e trabalho sobre seu inconsciente, trazer-lhe o resultado esperado: livrar-se do seus medos.


Continua...

sábado, 20 de agosto de 2011

Medo de falar em público e a psicologia evolutiva - Parte 1

O medo infantil é cruel, pois quase sempre é infundado porque tem sua origem em algo inexistente: monstros debaixo da cama, o homem do lixo, um barulho forte, o escuro.
Em contrapartida, nessas horas os nossos super-heróis estão sempre lá pra nos defender. Quando somos crianças, desenvolvemos nossa confiança frente a essas situações através do acalento materno, do calor do colo de nossos pais. Nessa fase desenvolvemos a chamada autoimagem infantil.
Magoei...


Depois seguimos à fase adulta, e qualquer situação que ative nosso senso de competição, de autorrealização, sexo, decisões difíceis, e outros, ativa a nossa autoimagem adulta.
I need help, mommy...


Por fim, a última das etapas é o momento de nossas vidas em que viramos genitores. O ímpeto de cuidar, de proteger, zelar, criar, ativa essa autoimagem.


Desculpem por ter ficado contra a luz...Mas tinha que aproveitar o momento!!!


Muito bem. Vocês vão entender onde eu quero chegar. Quando passamos por diversas situações na vida, é normal que uma dessas autoimagens se ative. Normal.
O problema é quando alguma delas predomina. O psicólogo italiano Giulio Cesare Giacobbe chama de neurose infantil o predomínio da autoimagem infantil.
Assim, para entrar no tema, pra valer, imaginem-se dentro de uma jaula com um gorila, em um zoológico. O gorila é assassino. O gorila tem uma ficha invejável de 35 vítimas devoradas. O gorila é forte. Muito forte. E você está lá, no fundo da jaula, encurralado, e o zoológico fechado. O que você faz? Corre, apavorado, até acabar sua energia? Tenta barganhar com o gorila sua vida em troca de algumas bananas-prata? Grita como nunca gritou? Finge que é outro gorila?
Pois é... Difícil saber o que fazer, pois a adrenalina preenche cada vaso sanguíneo nosso, dá dor de barriga, e o medo (que, segundo Stephen King, é a primeira coisa que sentimos em nossa vida, ao sair da barriga de nossas mães) nos faz querer tomar atitudes fora da razão; fica parecendo impossível pensar.
Mas é possível pensar, sim. Quem diabos ia se meter dentro de uma jaula com um gorila assassino?
Esse é o ponto: a maioria de nossos medos é sobre algo que não existe. Criamos gorilas na nossa imaginação e os carregamos conosco até a fase adulta, inclusive quando já ultrapassamos a linha da autoimagem de genitores. Daí vem o pavor quando o avião chacoalha e parece que vai cair, ou a sensação de que, quando vamos fazer uma apresentação, aquela plateia de 114 pessoas vai, quando estivermos lá na frente,...eh...uh...vai fazer o que? Bom, não sei. Mas que muita gente tem medo dela, tem.
A psicologia evolutiva é, segundo o psicólogo italiano, uma boa saída para vencer esses gorilas. É o que gostaria de abordar com vocês nos próximos posts. Acompanhem.


Continua...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Líderes, gestores e dirigentes



Betânia Tanure, Doutora, consultora e professora da PUC de Minas desenvolveu pesquisas ao longo de alguns anos acerca desses três papeis no ambiente corporativo. Todos são essenciais, com suas peculiaridades, e difíceis de mesclar, mas necessários.

Enquanto que, para alguns, ser gestor é o mesmo que ser "apenas" chefe, e o ideal é ser líder, para outros gestor e líder devem ser a mesma coisa. 

Mas a diferença básica é que o gestor é a fotografia de uma posição oficial na empresa, é formalmente um chefe. Não "apenas" um chefe. Cabe aqui lembrar que quando se fala no tema liderança, o nome chefe  já traz consigo o estigma de algo negativo, do mandão, do tirano dominante que vai causando, com o tempo, o desestímulo dos funcionários.

                Ai caramba! Mim? Mim, chefe!


Mas é totalmente possível, aliás, necessário ser um bom gestor. A boa articulação e viabilização de estratégias, processos e estrutura fazem de um gestor um bom gestor. Este tem a capacidade de fazer a empresa crescer de maneira consistente, com um desempenho cada vez melhor, nas menores a nas maiores mudanças, baseado em indicadores, históricos, planejamentos, execuções. Se pudermos eleger uma palavra que case com esse papel, ela seria a Razão.

Entretanto, claro, há pessoas por trás disso. Pessoas tem aspirações, desejos, bom e mau humor, forças e fraquezas. E é aí que entra o papel do líder. Segundo a professora Tanure, o líder opera com a energia que mobiliza a empresa. Seu foco está na cultura organizacional, na liderança, na cultura. Tive, esses dias, a oportunidade de conversar com a diretora da linha de produção de uma fábrica de bebidas. Ela me expôs a dificuldade que é ter que conhecer funcionário por funcionário, trabalhar com metas diárias de produção e motivar do chão de fábrica aos gerentes. Sua vida corporativa é uma negociação crônica, uma resolução crônica de conflitos. Certa vez, ela perguntou a um funcionário se havia conflitos em sua área, se ele estava bem com uma situação de atrito que vinha acontecendo, ao final de uma reunião (daquelas que sugam o que nos restava de energia para o resto do dia). Ele respondeu "Não, tudo bem...Está tudo bem". E não estava - havia faíscas pulando pelo ar. Até hoje, depois de vários anos de trabalho com ele, ela tenta provar a esse funcionário que conflitos sempre existiram e sempre existirão, e não é por causa disso que ganhamos um inimigo por dia. "Marcus", disse ela, "a produção quer engarrafar as bebidas e a manutenção quer parar a fábrica. Isso já não é um conflito?".


E é justamente aí que entra o segundo papel, o do líder. Ele consegue canalizar a energia negativa desses conflitos em produtividade, ele motiva a equipe e faz com que as aspirações de todos sejam as mesmas dele. Isso envolve cultura, valores corporativos e muito, muito jogo de cintura.
"Líderes são legitimados pelos seus liderados", diz a professora Tanure.

Segundo pesquisas recentes que ela desenvolveu em conjunto com um grupo da Wharton University e com Sumantra Ghoshal, da London Business School, existem traços comuns entre os líderes, e que são frequentes em muitos países: 

1) Visão de futuro - capacidade de compartilhar sonhos e de criar significado para as pessoas; 


2) Credibilidade - o líder age inspirado em valores como justiça e gera confiança; relacionamento mobilizador - ao relacionar-se, tem a capacidade de mobilizar o coração e a alma das pessoas. Para obter isso um dos principais requisitos é a comunicação competente; 


3) Comportamento "agridoce" - gera sofrimento, mas ajuda a cuidar dele (atenção: não é o bate-sopra típico das culturas paternalistas); 


4) Alto grau de autoconhecimento - ouve sua voz interior, conhece e reconhece seus pontos fracos. Aqui cabe lembrar do papa da Inteligência Emocional, Daniel Golemann, que sempre prega isso em seus livros.


5) Ambição e sucesso - afinal, ninguém gosta de seguir gente malsucedida. 

Bom lembrar também que nem todos são líderes o tempo inteiro e em todos os lugares, pois isso depende dos valores, do contexto em que o indivíduo está e da dinâmica dos grupos.

Em suma, se formos eleger agora a palavra de ordem para o líder, ela seria, nesse contexto, Emoção.

Agora unamos Emoção e Razão. Esse é o Dirigente. Se em uma mão o líder arrebata pessoas, e noutra o gestor cuida da eficiência operacional da empresa, podemos dizer que numa terceira mão o Dirigente consegue somar, independente de estar ou não no topo da hierarquia, os dois.

Segundo a professora Tanure, "o dirigente não opera apenas na manutenção, na melhoria contínua. Nem mesmo na mudança radical seu foco é apenas estratégia, processos e estrutura. Tampouco está focado fundamentalmente na dimensão das pessoas, da liderança e da cultura. Ele vai muito além: reconhece o fluxo natural e o altera, com coragem, com garra, como exige o mundo empresarial de hoje. Tem um propósito claro, uma visão de futuro que ilumina suas decisões e ações. Ele assume os riscos".

Difícil, mas aplicável. Depende de prática, estudo com afinco de pessoas e processos, ser bom negociador, instigar, motivar, estar atento aos números... Claro, ter talentos nessas áreas torna tudo mais fácil. Mas  é crucial, na vida de um "líder-gestor", uma equipe modelada de forma que suas capacidades sejam aproveitadas para que tudo aconteça da forma que citamos nesse texto.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Meu filho, você não merece nada (por Eliane Brum)

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.



Texto de ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

sexta-feira, 8 de julho de 2011

GOL compra Webjet

Pare pra pensar no oligopólio (na verdade um duopólio) TAM e Gol. É interessante para o governo que seja assim, pois o caos aéreo no Brasil acontece justamente por causa da infra-estrutura dos aeroportos. Empresas como a Webjet e a Azul fomentam que classes C e D tenham a oportunidade de voar. Se só duas grandes empresas operam, o preço sobe e só os ricos voam. E aí os problemas de atrasos de voos, devido às altas demandas, acabam. Interessante para o governo.
E concordo que, provavalmente, a Gol não vá querer manter a Webjet como uma linha lowcost. Óbvio, pois ela sempre se anunciou como lowcost, a webjet mexeu pra valer com o seu ego.